sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Por dentro de um orçamento - BDI

BDI
Benefícios e Despesas Indiretas
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/BDI

BDI é o elemento orçamentário destinado a cobrir todas as despesas que, num empreendimento (obra ou serviço), segundo critérios claramente definidos, classificam-se como indiretas (por simplicidade, as que não expressam diretamente nem o custeio do material nem o dos elementos operativos sobre o material — mão-de-obra, equipamento-obra, instrumento-obra etc.), e, também, necessariamente, atender o lucro.
Na composição do BDI acham-se, segundo os critérios claramente definidos e de acordo com metodologia matemática de cálculo precisamente estabelecida, os custos de (1) administração central, em parcela rateada para o empreendimento em causa; (2) custo de capital financeiro contraído do mercado; (3) margem de incerteza (aceitável apenas para o contratante, em razão de este desconhecer, a priori, o cenário de ofertantes e de ofertas disponíveis no mercado); (4) carga tributária específica, nas várias esferas estatais) e (5) lucro (lucro bruto ou margem de contribuição). Como se vê, todos são elementos de custo indireto.
BDI é a parcela de custo que, agregada ao custo direto de um empreendimento, obra ou serviço, devidamente orçado, permite apurar o seu custo total. Objetiva suportar os custos que, conquanto não-diretamente incorridos na composição do binômio "material versus elementos operativos sobre o material (tradicionalmente denominado apenas mão-de-obra), todavia incorrem também na composição geral do custo total.
Costuma-se expressá-lo em valor relativo ou percentual (mais usual), ou por unidade (menos comum, porém muito mais útil em análise) relativamente ao custo direto. O fato de ser assim expresso (relativamente ao custo direto, porém de modo indireto), é uma justificativa adicional pela qual se diz elemento de custo indireto. Contudo, a razão própria dessa qualificação acha-se na sua composição, conforme exposto.

ORIGEM DO TERMO
BDI é sigla originária da cultura anglo-saxônica, a significar Budget Difference Income. Costuma ser traduzido por Benefícios e Despesas Indiretas (mais usual) ou por Bônus e Despesas Indiretas (menos usual). Em Engenharia de custos, é o elemento orçamentário destinado a cobrir todas as despesas que, numa obra ou serviço, segundo critérios claramente definidos, classificam-se como indiretas (por simplicidade, as que não expressam diretamente nem o custeio do material nem o dos elementos operativos sobre o material — mão-de-obra, equipamento-obra, instrumento-obra etc.), como o custeio da carga tributária nas várias esferas estatais, o das inversões financeiras havidas no mercado de capitais, e, também, necessariamente, o lucro bruto (ou margem de contribuição). É, pois, uma diferença de ingresso orçamentário.

FUNÇÃO BDI
BDI, a despeito de alguma confusão conceitual e eventualmente também operativa, pode entender-se como função que associa ao binômio "custo direto (às vezes chamado simplesmente custo) versus custo total" um número (expresso em percentagem (%) ou em por unidade (pu)) — que exprime quanto do custo total calculado sobre ao custo direto a este se agregou para compor o custo total do empreendimento.
Isso pode ser assim expresso, em linguagem matemática simbólica:


 

Nota-se, a bem do rigor matemático (imprescindível), que BDI não é simplistamente "um percentual que multiplica o preço de custo tal que venha a resultar o preço de venda". A lei de composição é diferente. É precisamente a que está expressa na relação de equivalência acima.
Ademais, deve-se lembrar que a mesma relação de equivalência acima apresentada pode ser expressa em por unidade (pu), como segue:


Por que isso é importante? Pelo fato de — ainda que o conceito mesmo de BDI permaneça polêmico (tanto que se desvinculou da significação originária, anglo-saxônica, sem, entretanto, perder-lhe a essência) — sim, pelo fato de, como quer que seja, ele expressar, como expressa, uma "diferença" (difference) de ingresso (income) orçamentário (budget). Noutros termos, para se compor o preço de venda de algo, o que quer que seja, além do preço de custo (direto), outros custos (ditos indiretos) também expressos em preços, somados ao lucro (outras vezes chamado de margem de contribuição) necessariamente intervêm.

CUSTOS VERSUS DESPESAS
Nos orçamentos, dois componentes determinam o preço final de uma obra: os custos diretos e o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), onde:
  • Custos diretos são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço objeto do orçamento em análise; e
  • Custos indiretos são os que, embora não incorporados ao produto final (v.g., os impostos, imprevistos, mobilização e desmobilização, juros entre outros, todavia contribuem para a formação do custo total.
COMPOSIÇÃO DO BDI
Em síntese, o BDI deve contemplar tão somente os custos que contabilmente se classificam como despesas indiretas. Com efeito, o BDI responde pelos seguintes elementos de custo do empreendimento:
  • Elementos de composição direta (comparecem em numerador):
  1. Custo rateado da Administração Central, relativamente à obra em causa;
  2. Custo financeiro relativo a tomadas de recursos externos à empresa
  3. Custo de risco relativo ao cenário de incertezas reinante no mercado;
  • Elementos de composição inversa (comparecem em denominador):
  1. Tributos municipais incidentes sobre o empreendimento;
  2. Tributos estaduais incidentes sobre o empreendimento;
  3. Tributos federais incidentes sobre o empreendimento;
  4. Lucro a ser auferido pela empresa com o empreendimento.
Outros gastos devem ser incluídos analiticamente na planilha orçamentária como custo direto.

DEFINIÇÃO DA AESBE
A Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais – AESBE, no seu "Manual para Orçamentação de Obras de Saneamento", define:
Os preços das unidades definidas na relação quantitativa serão os orçados e aprovados, e cobrirão os custos previstos na composição e regulamentação de preços e todas as despesas diretas e indiretas.
A medição dos serviços será feita de acordo com os critérios pré-estabelecidos na regulamentação de preços e especificações.
Benefícios e Despesas Indiretas: é a taxa percentual determinada pela contratante que incide sobre todos os preços unitários compostos pelos materiais, como pela mão de obra, encargos sociais e trabalhistas, e equipamentos, incluindo os tributos necessários e fretes. (É importante notar aqui que incidir sobre preços e encargos, evidentemente, não significa conter, ou, mesmo, ser tais encargos e preços).
Salvo condições contrárias expressas no contrato, remunera as despesas a seguir relacionadas:
  • Equipe administrativa da sede da empresa composta por: diretoria, engenheiro, chefe de escritório, encarregado de compras, auxiliar de escritório, contador, datilógrafo, etc;
  • Equipe administrativa de campo, composta por: engenheiro, mestre de obras, encarregados, apontador, vigia, fiscal de obras e etc.;
  • Despesas na sede da empresa e no canteiro de obras com aluguéis, impostos, taxas, licenças, tarifas de energia elétrica e de água, telecomunicações, materiais de consumo e limpeza, transporte de pessoal na obra, provisão e suprimentos de água e energia elétrica no canteiro, transporte local, manuseio, guarda e administração na obra, ferramentas, equipamentos de transportes para execução dos serviços, tais como, andaimes, equipamentos de proteção individual e de segurança, higiene, sinalização contra acidentes de trabalho e de trânsito, alojamento e alimentação de pessoal e outras despesas não discriminadas e não remuneradas à parte ou não remunerado como insumo na composição de preço unitário;
  • Acompanhamento topográfico da obra, exceto se previsto na composição de preços unitários;
  • Lucro, seguros e riscos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aceleração da construção civil em 2012

CBIC prevê aceleração da atividade da construção civil em 2012

Estimativa é de um crescimento de 5,2% em 2012, contra 4,8% em 2011.
PAC, Minha Casa Minha Vida 2, Copa e Olimpíadas estimulam expansão.


Alexandro Martello Do G1, em Brasília

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informou nesta quinta-feira (8) que, apesar da crise financeira internacional, prevê uma aceleração do nível de atividade da construção civil em 2012. A estimativa da entidade é de um crescimento de 5,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor no próximo ano, contra 4,8% de expansão em 2011.
De acordo com a CBIC, a expectativa de aceleração do PIB da construção civil no ano que vem está relacionada com a continuidade da compra de imóveis pela classe média, além da segunda etapa do Programa Minha Casa Minha Vida, lançada neste ano para a população de baixa renda, das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dos investimentos para a Copa e Olimpíadas.
"Somos avessos a crise. Vai ter crise, mas o setor pode ser uma saída para minimizar os impactos da crise no Brasil. Só que o governo vai ter que tomar iniciativa, fazendo com que o PAC e o programa Minha Casa Minha Vida 2 andem. O ritmo do PAC ficou aquém das expectativas em 2011, mas a presidente Dilma está dizendo publicamente que vai voltar a ser prioridade", disse o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão.
Safady lembrou que o setor de construção civil registrou um crescimento de 42% entre 2004 e 2010 - uma média de 5,18% por ano. Dados da CBIC mostram que o setor responde por metade dos investimentos (formação bruta de capital fixo) realizados no país.

Crédito imobiliário X PIB
Segundo a CBIC, o crédito imobiliário está, atualmente, em 5% do PIB no Brasil, bem abaixo de outros países, como México (12,5% do PIB), China (13%) e Chile (14%), o que indica, junto com a inadimplência em patamares baixos, que não há "bolha" no crédito imobiliário. Informações divulgadas pela CBIC mostram que a taxa de inadimplência, que superou 10% em 2003, está um pouco acima de 2% neste ano.


Financiamentos
De acordo com a análise da CBIC, o mercado de crédito imobiliário tem registrado crescimento nos últimos anos graças às condições econômicas e institucionais propícias. O volume anual de crédito imobiliário passou de R$ 6 bilhões em 2004 para um valor em torno de R$ 110 bilhões em 2011, informou.

Uma das fontes de recursos, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), financiou R$ 27,3 bilhões até novembro deste ano em habitação, sendo 80,7% para novas unidades. "Se estima que deverá encerrar o ano com aproximadamente R$ 35 bilhões em operações de financiamento habitacional e mais R$ 4 bilhões em ações de mobilidade urbana e saneamento", informou a entidade.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), citados pela CBIC, os financiamentos imobiliários realizados com recursos da poupança somaram R$ 64,9 bilhões até outubro, o que representa um aumento de 44,7% frente ao patamar de igual período do ano passado. 
A CBIC informou que que este percentual de crescimento deverá encerrar o ano em torno de 33%, um resultado "muito positivo" considerando que a base de 2010 foi um recorde. "Isso representaria aproximadamente R$ 75 bilhões em financiamentos com recursos da poupança", informou a entidade.
"Tanto a captação líquida, quanto os saldos de poupança deverão registrar aceleração de crescimento, à medida que, se reduziram as taxas de inflação e básica de juros da economia, pois a poupança torna-se mais atraente aos aplicadores", avaliou a CBIC.

Mercado imobiliário
A expectativa da CBIC para o mercado imobiliário é de continuidade da expansão, uma vez que a renda e o crédito imobiliário seguem crescendo no país. "O mercado não deverá passar por transformação radical, pois nada indica que o país vivenciará um período recessivo. Mas é preciso considerar que os efeitos da crise econômica internacional ainda podem chegar ao país. É preciso acompanhar", avaliou a entidade. Na visão da CBIC, o mercado imobiliário brasileiro se mostra "saudável", principalmente quando comparado aos países ricos.


Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/12/cbic-preve-aceleracao-da-atividade-da-construcao-civil-em-2012.html